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A Prefeitura de Nova Friburgo promove até 03 de julho (sexta-feira) na Casa da Cultura, antigo Fórum Júlio Vieira Zamith, a exposição ‘Villa-Lobos - um criativo do Rio’, homenagem ao importante músico e maestro carioca, que fez sua estréia mundial em Nova Friburgo, a 29 de janeiro de 1915.
A exposição conta com uma mostra de fotos em 22 painéis, apresentando a história da vida e a arte do grande revolucionário da música clássica brasileira. O filme ‘Villa-Lobos - uma vida de paixão’, do diretor Zelito Viana, que será exibido no Centro de Arte, às terças, quartas e quintas-feiras, sempre a partir das 18h, gratuitamente, faz parte da exposição. Mais informações com David Massena, diretor da Casa da Cultura, pelo telefone 2522-9966.
Um grande brasileiro
Heitor Villa-Lobos nasceu no Rio de Janeiro em 1887. Filho de um funcionário da Biblioteca Nacional e músico amador, que incentivou o filho e adaptou uma viola - instrumento de formato igual e de tamanho um pouco maior que o violino e menor que o violoncelo - para que este começasse a estudar violoncelo. Desde cedo começou a percorrer por sua conta o interior brasileiro e a absorver e coletar material folclórico que seria a maior fonte de seu estilo musical maduro.
As composições de Villa-Lobos rompem com a influência dos estilos europeus da virada do século, o Wagnerismo, o Puccinismo, o alto romantismo francês e o impressionismo. Esses moldes começam a ser quebrados com as "Danças Características Africanas" para piano com os expressivos bailados "Amazonas e Uirapuru", em 1917.
Atacado pela crítica tradicionalista e com o apoio de mecenas como os Guinle, viaja para a Europa, onde encontra a vanguarda européia da época, Ravel, Varèse e Florant Schmitt. É dessa época a série monumental dos "Choros".
Entre mais de dois mil títulos e inúmeras publicações, a Sinfonia n° 10, os 12 estudos e 5 prelúdios para violão e a série de 14 Choros, destacam-se como obras-primas e dão a devida noção da brasilidade e da genialidade de Villa-Lobos. Com uma produção ciclópica, Villa-Lobos conseguiu a realização do espírito nacionalista nos mais diversos gêneros, espírito este que faz a música brasileira ser rica em elementos e livre de padronizações.
As fusões rítmicas, harmônicas e melódicas, propostas por Villa-Lobos, fazem da música brasileira uma grande esponja que absorve diversas culturas, e quando espremida, libera uma nova mensagem, reciclada e sustentável.
Opinião
A identidade da música brasileira deve tudo ao maestro Villa-Lobos, que iniciou o processo de descolonização musical no Brasil. No centenário de seu nascimento, em 1987, o mundo todo tocou as músicas de Villa-Lobos. E o Brasil tocou o que? O Brasil é um país sem pianos, com poucas orquestras sinfônicas. E o repertório dessas orquestras é europeu.
Villa-Lobos é um revolucionário, fazia música moderna, mas no Brasil as pessoas pensam que revolucionário usa camisa vermelha e toma drogas ou acreditam numa crítica que, não raro, ignoram os artistas latino-americanos. Por isto que no ano de 2009 ainda não sabemos quem é Villa-Lobos, nem o que ele representa para o nosso país.
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