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Entrevista com uma stripper

Por: Luísa Toledo
Nova Friburgo

A Internet, uma das principais ferramentas de comunicação e informação da modernidade, inaugurou novas formas de sociabilidade. No meio virtual, todo tipo de comunicação pode se dar em “tempo real” e de maneira desterritorializada. Profissionais do sexo, de todo o mundo, conseguiram enxergar as particularidades e potencialidades do ciberespaço, dando início ao que muitos chamam de “sexo virtual” - atividade que encontra-se em ascensão e atrai pessoas de diferentes perfis. A stripper “Nadia”, 28, do interior de São Paulo, cedeu, por e-mail, uma entrevista exclusiva e conta um pouco como é ser uma profissional do sexo virtual.

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(Foto: divulgação)

Luísa: Quando você decidiu se tornar uma stripper? Quais foram as principais motivações?

Nadia: Foi há cerca de um ano. Estava numa situação financeira delicada, então apareceu essa oportunidade. Me informei um pouco, mas mesmo assim fiquei mais de um mês decidindo se fazia ou não. A principal motivação foi financeira, pois como professora ganhava muito mal.

Luísa: Sentiu medo?

Nadia: Senti e ainda sinto. Eu tomo todo tipo de cuidado para que nada me aconteça, mesmo assim tenho medo. No mundo tem gente de todo tipo, inclusive aquelas pessoas que para se sentirem bem precisam prejudicar os outros.

Luísa: Por que Nadia?

Nadia: Não posso usar meu nome verdadeiro, assim como a maioria das profissionais do sexo. Pesquisei um nome que não fosse usado tão frequentemente por outras meninas do meio, porque gosto de ser diferente em tudo. Me agradou o significado do nome - Nádia tem origem russa e árabe, em russo significa esperança e em árabe, significa o principio.

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(Foto: divulgação)

Luísa: Foi fácil começar a atuar no ramo? Quais as maiores dificuldades?

Nadia: Foi fácil sim, em pouco tempo conquistei muitos clientes fixos e a cada dia conquisto mais, apesar de haver muitas outras strippers virtuais no mercado. Quem curte esse tipo de serviço, já estava saturado com o tipo de atendimento, visto que a maioria das meninas não tem paciência e são grosseiras com os clientes, não gostam de conversar. A maior dificuldade é manter a calma diante de comentários ofensivos e de pedidos para mostrar o rosto ou fazer uma amostra grátis. É complicado agradar todo mundo, mesmo assim, respiro fundo e explico como tudo funciona, deixando o cliente à vontade para procurar outra stripper.

Luísa: Como você descreveria os seus clientes?

Nadia: Em geral são homens com mais de 30 anos de idade e casados, embora tenha clientes solteiros e mais novos que isso. Por ser um serviço pago e por eu não cobrar os menores preços do mercado, meus clientes têm um nível muito bom em termos de educação, a maioria sabe conversar e me trata com respeito. Alguns me contam sobre suas vidas, fazem queixas das esposas...

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(Foto: divulgação)

Luísa:Na sua opinião, o que leva uma pessoa a procurar prazer na Internet?

Nadia: O homem se excita muito com imagens. Na Internet o contato se torna mais fácil,  pois pode ocorrer no anonimato, o que faz com que a maioria se sinta à vontade para extravasar suas emoções. Para os comprometidos é uma maneira de sentir prazer com outra mulher sem trair de fato. Além disso, é mais fácil e cômodo - eles pagam, assistem e desligam o computador, não precisam me dar nenhuma satisfação.

Luísa: Já se prostituiu?

Nadia: Nunca me prostitui, não tenho coragem.

Luísa: Qual a sua opinião sobre as prostitutas?

Nadia: Não estou em posição de julgar as prostitutas, pois também me considero uma profissional do sexo. Nunca tive preconceito, sempre achei que cada um sabe o que é melhor pra si. Admiro as prostitutas pela coragem que têm.

Luísa: Seus familiares e conhecidos sabem que você é uma stripper?

Nadia: Não, apenas o meu marido. Só um parente descobriu, ao usar meu computador quando eu estava distraída. Nenhum outro parente, conhecido ou amigo sabe o que faço. Não conto pra ninguém, pois sei que as pessoas têm preconceito contra esse tipo de trabalho. Se mais algum familiar descobrir, não sei até que ponto vou me incomodar, pois ninguém paga minhas contas, portanto...

Luísa: Por que você acha que as pessoas, de um modo geral, ainda têm tanto preconceito contra essa atividade?

Nadia: A sociedade em si é moralista e muito hipócrita. Na minha opinião, aquele que mais critica essas coisas é o que mais tem desejos reprimidos. Ainda existe muito preconceito e acredito que vai continuar assim por muito tempo, pois as pessoas gostam de apontar e criticar as outras, se esquecendo de cuidar da sua própria vida e de olhar para o próprio umbigo.

Luísa: Se tivesse uma filha e ela resolvesse ser stripper, qual seria a sua reação?

Nadia: Eu iria preferir que ela estudasse e tivesse uma boa profissão, que conseguisse ganhar dinheiro sem precisar fazer nada disso. Nem tudo é fácil como parece, não ia querer ver uma filha apontada na rua.

Luísa: Já estava casada ao iniciar esse trabalho?

Nadia: Sim, sou casada há 5 anos.

Luísa: Qual foi a reação do seu marido?

Nadia: Meu marido sabe o que faço, ele inclusive me ajudou a tomar a decisão desde o começo e ainda me ajuda. Temos uma mentalidade diferente porque temos experiência no mundo liberal (já participamos de ménage). Meu marido enxerga esse tipo de coisa com outros olhos, ele sabe que na verdade ninguém me toca, ou chega perto de mim.

Luísa: Qual a situação mais estranha pela qual você já passou ao longo do tempo em que trabalha como stripper?

Nadia: Por enquanto nada muito estranho, os homens são muito previsíveis em matéria de sexo, gostam de fantasiar e é quase sempre igual.

Luísa: Quais as vantagens e desvantagens desse trabalho?

Nadia: A maior vantagem é poder ficar em casa, cuidar das minhas coisas e fazer meus horários. As desvantagens são as mesmas de um comerciante - ter que lidar com o público, que vai desde pessoas sem dinheiro querendo tirar vantagem, tentando me enganar dizendo que pagou, quando sei que não pagou, ou aqueles que só ficam batendo papo e nunca compram um show, só tomando meu tempo.

Luísa: Pretende parar de fazer strip-tease?

Nadia: Claro que sim, vou ter que parar, já tenho 28 anos. Os homens querem ver um corpo bonito na tela do computador e o corpo envelhece. Vai chegar minha hora de parar, não por enquanto, mas daqui alguns anos, com certeza.

Luísa: Quanto você cobra pelo serviço?

Nadia: O pacote mais barato custa R$ 20,00 / 15 minutos. O mais caro custa R$ 50,00/ 20 minutos.

Luísa: Quantos pacotes você oferece? Qual a diferença entre eles?

Nadia: São cinco pacotes. A diferença entre eles são os acessórios que uso. Se o cliente quiser que eu utilize vibrador e bolinhas tailandesas, é mais caro.

Luísa: Você faz esse trabalho em casa?

Nadia: Sim. Tenho um cômodo reservado apenas para isso.

Luísa: Explica pra gente como funciona a strip-tease pela Internet. Muita gente ainda não conhece...

Nadia: O strip virtual, ou sexo virtual já vem sendo praticado na internet há muito tempo. Nada mais é do que um “auxílio à masturbação”. Mas, diferentemente dos homens, as mulheres não estão assim tão disponíveis para abrirem a câmera e se exibir e, com toda razão. Exemplo disso são os milhões de vídeos de garotas que inocentemente se mostraram e que estão por toda parte na internet. Alguma mulher percebeu essa dificuldade dos homens, essa característica machista e desonesta e teve a idéia de cobrar pra mostrar. Assim, os homens não precisam perder tempo tentando encontrar alguma mulher que concorde em mostrar o que eles querem ver. A idéia deu certo e aos poucos foram surgindo mais mulheres fazendo esse tipo de trabalho e mais homens interessados e atraídos pela facilidade, pois pagando pouco, consegue-se ter o que quiser. O trabalho de uma stripper virtual é se despir com sensualidade, e “brincar” com o parceiro virtual, até que o homem tenha um orgasmo, dentro do tempo combinado. Não há nada de errado com o sexo virtual, apesar de não substituir o olho no olho, o toque, a voz, o contato físico, mas supre a solidão momentânea e a necessidade de se ter prazer. Da mesma forma que o homem pode usar uma revista, ou um filme pornô, também pode conseguir o orgasmo através de uma stripper virtual, que proporciona a interatividade. Utilizo a webcam, por isso comprei um notebook com uma câmera de alta qualidade. Também tenho meu próprio site.

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(Foto: divulgação)



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Leia os Comentários:

Lais   |   01/07/2009 - 14:54

que povo mais doido !! rsrs

 




 


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